Grande Fortaleza tem 2ª noite seguida de ataques a prédios, bancos e ônibus

Fortaleza e cidades da região metropolitana sofreram com a segunda madrugada de ataques contra prédios públicos, agências bancárias e ônibus. Um suspeito de tentar incendiar um radar de trânsito, na cidade de Eusébio, foi morto em confronto com a polícia. Até o momento 18 suspeitos foram detidos, quatro deles menores de idade.

A polícia investiga se as ações podem estar ligadas às mudanças anunciadas pelo governo estadual para a administração de presídios no segundo mandato de Camilo Santana (PT). Desta vez até bens privados sofreram ataques, que já passam de 30 desde quarta (2). Uma concessionária foi invadida na noite de quinta (3) e os bandidos roubaram funcionários e colocaram fogo em alguns veículos. Ninguém se feriu.

O prédio da prefeitura de Maracanaú, na Grande Fortaleza, também foi atacado, além da sede principal do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) na capital cearense, no bairro da Maraponga. Houve princípios de incêndios, controlados rapidamente. Algumas delegacias e agências bancárias foram alvo de tiros.

Até o momento ao menos 11 ônibus e duas vans que fazem transporte público foram incendiados em Fortaleza e cidades do interior. Um carro com explosivos foi encontrado próximo a um viaduto na avenida Washington Soares, uma das principais ligações para o litoral leste do Ceará.


Ônibus incendiado na madrugada desta sexta-feira (4) em Fortaleza — Foto: Reprodução/José Leomar/SVM

Na madrugada de quinta (3), uma explosão danificou um viaduto na BR-020, na cidade de Caucaia, estrada que liga a capital a cidades importantes do interior, como Canindé, e a Brasília. Segundo o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) está sendo feito o escoramento da estrutura danificada, no intuito de afastar o risco de desabamento do viaduto que ficará interditado por tempo indeterminado. Um desvio faz o fluxo da estreada prosseguir.

FACÇÕES CRIMINOSAS

Os ataques ocorrem depois de Camilo Santana anunciar que uma das prioridades de seu segundo mandato será endurecer as regras em presídios, que hoje têm unidades divididas entre facções criminosas: as três mais fortes no estado são o PCC (Primeiro Comando da Capital) e GDE (Guardiões do Estado), que são aliados, e o CV (Comando Vermelho).

Santana criou uma secretaria exclusiva para o assunto, a de Administração Penitenciária, e escalou para comandá-la o policial civil e ex-secretário de Justiça do Rio Grande do Norte Luís Mauro Albuquerque e com função takbém no Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

Na terça (1º), durante a posse dos secretários no Palácio da Abolição, Albuquerque disse que não reconhecia as facções criminosas e que os presídios têm que ser comandados pelo estado, não pelos criminosos -nos últimos meses vídeos de detentos com celulares nas unidades circularam pela internet.

Há possibilidade, inclusive, de revisão da divisão de detentos por presídios com base na facção a que pertencem, o que pode ter desencadeado ordens para as ações realizadas por bandidos nas últimas horas.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança, o Ceará foi, em 2017, o terceiro estado do país com mais mortes violentas. A taxa foi de 59,1 mortos a cada 100 mil habitantes. À frente do estado estiveram apenas Rio Grande do Norte (68) e Acre (63,9).


Criminosos detonaram uma bomba contra a estrutura de um viaduto na Caucaia — Foto: João Pedro Ribeiro/TV Verdes Mares

Em 2018, segundo dados divulgados pelo estado, houve queda de 10,5% na taxa de homicídios entre janeiro e novembro de 2018, comparado com 2017. Mesmo assim, no ano passado ocorreu a maior chacina da história do Ceará, com 14 mortos durante uma festa na periferia de Fortaleza, em janeiro, e a morte de seis reféns após ação policial para evitar assalto a dois bancos em Milagres, no interior, em dezembro.

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA ACIONADO

Na tarde de quinta (3), Camilo Santana pediu ajuda diretamente ao ministro da Justiça e Segurança Social, Sérgio Moro. Santana solicitou a presença da Força de Segurança Nacional, do Exército e da Força de Intervenção Integrada.

Moro determinou providências para auxiliar o Ceará a combater atos de violência, mas, por enquanto, sem o envio da Força Nacional. De acordo com nota da assessoria de imprensa da pasta, Moro solicitou mobilização da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e do Departamento Penitenciário Nacional.

Ainda segundo a equipe de comunicação da Justiça, os órgãos atuarão na investigação e repressão aos crimes registrados, incluindo a disponibilização de vagas no sistema penitenciário federal. O ministro sugeriu também a formação de um gabinete de crise, com a integração de polícias federais e estaduais. A Força Nacional foi mobilizada para se deslocar ao estado em caso de deterioração da segurança.

Fonte: Portalodia.com Por Folhapress

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