“A escravidão permanecerá por muito tempo no Brasil”, diz historiador

Há 132  anos a Princesa Isabel oficializada o fim da escravatura no Brasil. Porém, no momento em que foi assinado a Lei Áurea,  não se criou condição de vida a esse povo. Pois libertar homens e mulheres da escravidão não era garantia de que essas pessoas gozariam da sua plena liberdade.

Portanto, o dia 13 de maio não é uma data de comemoração ao povo negro, como diz o historiador Junior Viana, “a escravidão permanecerá por muito tempo no Brasil, enquanto não houver a garantia de que esses homens e mulheres viveram com dignidade”, lamenta.

Vale ressaltar, que após a abolição em 1888, nasceu a dependência do ex-escravo a outras pessoas, por comida, moradia e trabalho. Além da desigualdade e racismo que pode-se observar até os dias atuais.

“Nos carregamos na contemporaneidade muitos resquícios do período colonial, e um deles é o racismo, o que potencializada a grosso modo na sociedade as diferenças entre brancos e negros principalmente entre trabalho. Como podemos falar no fim da escravidão onde tem homens e mulheres que trabalham em jornada excessivas e recebem irrisoriamente pelo que fazem”, explica Junior Viana.


A escravidão permanecerá por muito tempo no Brasil”, diz historiador Junior Viana

Claudio Lamachia, advogado e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB),  escreve no prefácio do livro “Dossiê Esperança Garcia: símbolo de resistência na luta pelo direito”, organizado em 2017 pela professora Maria Sueli Sousa, as diversas faces da escravidão na atualidade.

Dentre elas, a questão dos negros terem salários mais baixo que os demais, mesmo ocupando cargos iguais. Em uma pesquisa divulgada em 2016 pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e pelo Instituto Ethos, somente 4,7% dos cargos executivos são preenchidos por profissionais negros no Brasil.

“Ademais, é insatisfatório a diversidade ética daqueles que compõem as instituições políticas pátrias. Segundo pesquisa realizada pela Revista Congresso em Foco a partir dos registros do Tribunal Superior Eleitoral, declaram-se negros apenas 24% dos candidatos eleitos em 2014 no pleito para cargos de presidente da República, governadores, senadores e deputados estaduais e federais”, diz Claudio Lamachia.

Deste modo, é possível dizer que a escravidão ganhou nova roupagem mas ainda existem homens e mulheres que vivem em situação de escravidão. Seria necessário que a lei Áurea pudesse  ter amparado esse povo no tocante as questões sociais. O que não é aconteceu e ainda é motivo de luta dos movimentos sociais.

Escravidão em Oeiras-PI

O historiador Junior Viana, conta que mesmo que no Piauí a escravidão  tenha sendo tardia, ela é algo recente que deixou marcas. Na cidade de Oeiras, por exemplo, atividade economia não dependia diretamente da mão de obra dos escravos, o trabalho era do caboclo. Mas a arquitetura e a gastronomia tem a presença do negro.

” Eu sou negro, e não devo fugir dessa realidade, meus antepassados tem sim uma relação com a escravidão. Naquele período muitos eram os homens negros e mulheres que se servirão para uma sociedade branca e colonizadora que exploravam a mão de obra dessas pessoas”, conta.

Fonte: Portal O Dia

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